Workshop de Acessibilidade e Inclusão Digital: interfaces para a inclusão social
Dia 6 de dezembro aconteceu na Faculdade de Educação o "Workshop de acessibilidade e inclusão digital – interfaces para a inclusão social". Este evento foi realizado no intuito de expor os trabalhos de uma disciplina do Programa de Pós Graduação do CINTED, ministrada pela professora Liliana Passerino.
Alguns temas me chamaram atenção como o trabalho da Rita Bersch, que falou sobre políticas públicas e tecnologia assistida. Seu objeto de pesquisa centra-se na funcionalidade dos equipamentos utilizados por portadores de deficiência e no desenvolvimento de uma tecnologia assistiva. O objetivo deste estudo é desenvolver tecnologias para que os portadores de deficiência possam adquirir autonomia, independência, qualidade de vida e uma maior inclusão social.
A autora justifica a análise baseada em estatísticas que comprovam a exclusão de pessoas portadores de deficiência. Segundo dados do IBGE de 2000, 14,5% da população brasileira apresenta algum tipo de deficiência. Destes, 24,5 milhões não estão inseridos no mercado de trabalho. Ela trás ainda alguns dados com relação ao ensino. Existe 2.850.256 crianças e jovens da faixa etária de 0 a 17 anos com algum tipo de deficiência, destes 75,1% estão fora da escola (esses números incluem as escolas de educação especial).
Estes dados referentes ao ensino nos trás algumas reflexões acerca da exclusão educacional dos portadores de deficiência. Se pensarmos que esses indivíduos sequer entram no ensino básico, por falta de estrutura para atendê-los e até mesmo pelo fato dos familiares desconhecerem as leis que obrigam as escolas a aceitarem alunos com necessidades especiais, como chegarão ao ensino superior. Mesmo os alunos que conseguem passar pelo ensino básico, como ultrapassar a barreira imposta pelo vestibular que continua sendo excludente. Algumas universidades, compreendendo esse processo educacional, estão elaborando provas diferenciadas e com auxílio profissional para os portadores de necessidades especiais para realizarem as provas do vestibular.
Porém, ainda estamos longe de uma efetiva inclusão, seja no âmbito educacional, profissional, ou até mesmo social de pessoas com necessidades especiais. Falta políticas públicas que auxiliam tanto na acessibilidade dessas pessoas como também na inclusão em vários âmbitos sociais (escola, trabalho, lazer, esporte, cultura...). Nós, enquanto professores e pesquisadores da área da educação não podemos fechar os olhos para essa realidade que assola uma parcela significativa da população brasileira.
Outro trabalho que me chamou a atenção foi o da Maurem da Silva, intitulado "Inclusão Digital no Meio Rural". Ela analisa a "agroinformática" que alia as atividades do meio rural com as tecnologias, gerando um maior desenvolvimento econômico. A autora traz alguns dados da inclusão/exclusão digital no Brasil. Segundo os dados, 38,4% dos brasileiros possuem computador e 13,6% com Internet. No Vale do Taquari (zona rural) os números mudam, pois 13% da população possui computador e desses 9% com Internet; 63% dos moradores não sabem sequer utilizar o computador.
Para amenizar esses dados, foi criado junto à associação dos moradores cursos básico de informática para que os produtores rurais pudessem utilizar a tecnologia para beneficiar suas produções. Alguns casos já se destacam na região, como o produtor de uvas que, através da Internet, começou a trocar correspondências com outro produtor e com isso dinamizou sua produção. Há casos de produtores que hoje utiliza o computador para gerenciar sua produção. Acredito que este trabalho irá contribuir muito com o crescimento da região, pois ainda há um preconceito muito grande das pessoas que residem no meio rural com as tecnologias. É preciso mostrar que a tecnologias não são um bicho e que pode sim contribuir para uma maior qualidade na vida dos produtores rurais.
Por fim temos o trabalho apresentado pela Cíntia Boll sobre "Arquiteturas Pedagógicas para Licenciados em EAD: espaço hipermididático de formação". Neste trabalho ela desenvolve um ambiente virtual de aprendizagem para o estágio dos alunos de licenciatura chamado PPH. Além de apresentar este ambiente virtual de aprendizagem, a autora traz alguns dados sobre a Educação a Distância. Esses dados mostram que em 2005, 127 mil alunos se matricularam na EAD no Brasil e desses, 30% concentram-se no ensino superior. Partindo desses dados, ela fala sobre a importância da EAD nas instituições de ensino e como a mesma contribuiu para uma inclusão social, pois a EAD acabou democratizando o ensino.
quinta-feira, 13 de dezembro de 2007
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