De 12 a 14 de novembro deste ano participei do Congresso Internacional de Qualidade na Educação a Distância - CIQEAD. Este evento foi organizado pelo Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos - UNISINOS. Participei da mesa temática intitulada Inclusão Digital para Inclusão Social – do "virtual" ao "real". Foram três apresentações de trabalho, incluindo o meu. Relatarei brevemente os assuntos discutidos pelo grupo acerca da inclusão digital e da educação a distância.
O primeiro trabalho discutido foi o intitulado "Inovação e Tecnologia: o sucesso da inclusão digital no Brasil obtido através do cartão WebAula", apresentado por Wilson Cypriano Pereira. Primeiramente ele contextualiza em números a situação brasileira com relação à inclusão digital. Segundo ele, somente 12,46% dos brasileiros possuem computador em casa; 8,31% possuem Internet. Justifica, baseado nas estatísticas que muita desigualdade social acaba criando bolsões de exclusão digital e social. Porém, ele acredita que grandes forças motivadoras estão cada vez mais presentes a fim de acabar com tal exclusão, como:
Bancos comprovam que seus "clientes Internet" já atingem quase 100% dos incluídos digitalmente;
E- GOV e certificação digital já é realidade e necessita de massa crítica;
Crescimento de entrega do Imposto de Renda pela internet já é exponencial;
A popularização dos celulares ajuda o indivíduo conhecer tecnologia avançada e inciar-se na Internet;
1% da receita de todas as teles vão para um fundo chamado FUST. Este fundo só pode ser usado para inclusão digital;
As empresas necessitam cada vez mais de colaboradores preparados e incluídos digitalmente. E-learning não é novidade, já é necessidade;
Governos e empresas estão criando telecentros em comunidades carentes;
Neste contexto, a inclusão digital democratiza a informação e o conhecimento, possibilitando o crescimento pessoal e profissional e conseqüentemente uma inclusão social.
Dado este panorama, o autor apresenta o projeto Centros Vocacionais Tecnológicos (CVT). Este é uma iniciativa do Governo do Estado de Minas Gerais no combate à exclusão digital feito em parceria com várias entidades e nas esferas municipal, estadual e federal. Tem como base a instalação de centros tecnológicos, preferencialmente em escolas e bibliotecas, próximas à população carente. Este projeto visa a inclusão digital e preparação da mão-de-obra de acordo com a vocação econômica de cada região. Cada unidade conta com:
duas salas de inclusão digital
dez computadores e impressoras
uma sala de videoconferência
um laboratório convencional de acordo com a vocação local
uma sala de incubadora para empresas
O projeto CVT já atingiu 86.838 alunos até julho de 2007. O curso mais procurado é o de introdução à informática. 86,4% das pessoas que fizeram o curso o qualificaram de ótimo e bom. 65,7% são do sexo feminino. A escolaridade das pessoas que mais procuram são: 35,3% com ensino fundamental incompleto e 24,3% com ensino médio completo. 78,8% são solteiros e 68,2% não possuem renda, o que justifica a procura por uma qualificação.
Para atingir estes números, o projeto conta com o auxílio do cartão WebAula. O Cartão webAula foi criado com o intuito de tornar inteligente e eficaz a maneira como os usuários acessam cursos pela internet, proporcionando a aquisição de conhecimentos para enfrentar o mercado de trabalho. Através de simples passos, o usuário consegue acessar e escolher um curso de uma grade com mais de 70 cursos técnicos e profissionalizantes. Depois basta fazer o curso escolhido através de um micro ligado a internet a qualquer hora e em qualquer lugar. Os cursos contam com auxílios de tutores eletrônicos, biblioteca virtual, os conteúdos a serem trabalhados e além disso há um dispositivo de acessibilidade, adequando cada curso ao estilo de pessoa que for fazê-lo, por exemplo, se for um adolescente a tela pode ser colorida e cheio de desenhos para ilustrar o conteúdo; se for um adulto, vem em formato de textos. Ou seja, há várias layouts para serem escolhidos. Ao final do curso é emitido um certificado de participação que pode ser impresso pelo próprio aluno. Enfim, a era da informação está cada vez mais recebendo atenção das organizações, sejam elas públicas ou privadas, e o que percebemos é que a cada dia novos dispositivos estão sendo criados para sanar uma carência que é realidade de muitos brasileiros, a chamada exclusão digital.
O segundo trabalho apresentado é intitulado "Educação SEBRAE pela Internet: um caso de sucesso" da autora Maria Ângela Soares Lopes (Consultora Sênior do SEBRAE).
O objetivo do trabalho era apresentar as propostas dos cursos SEBRAE e como são desenvolvidos os cursos ministrados por ele. A missão do SEBRAE é a promoção da competitividade e do desenvolvimento sustentável das micro e pequenas empresas. A autora trás exemplos de alguns cursos ofertados pelo SEBRAE, dentre eles encontramos o:
Iniciando um Pequeno Grande Negócio - IPGN
Aprender a Empreender- AE
Como Vencer Mais e Melhor – CVMM
Análise e Planejamento Financeiro – APF
D-Olho na Qualidade – D-Olho
Até o final de 2007, o SEBRAE tem como meta atender 750 mil pessoas com os cursos oferecidos. São cursos gratuitos e visa especificamente a qualificação para o mercado de trabalho.
O compromisso dos gestores focam na excelência (desenvolvimento de competências, aprendizagem colaborativa e valorização dos profissionais de EAD). Os cursos contam com tutores dinamizadores e tutores masters apoiados por equipe administrativa e consultores educacionais. Trabalham com a idéia do tutor pró-ativo, que provoca discussões e incentiva os participantes a manterem o ritmo do curso.
O projeto conta com cursos livres (gratuitos), planejamento anual, campanhas de divulgação, controle terceirizado de turmas, acompanhamento das turmas pelos coordenadores, tutoria e avaliação.
Os recursos educacionais utilizados nos cursos são: chats, fóruns/comunidade, mural, caixa postal, tira dúvidas e biblioteca virtual.
O terceiro trabalho foi por mim apresentado e tem como título "Política Pública de Inclusão Digital: os telecentros comunitários de Porto Alegre". Meu trabalho está centrado na problemática da exclusão social e digital, pois vivemos em um contexto histórico marcado pelas desigualdades sociais em que as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC’s) se tornam cada vez mais presentes no nosso cotidiano. Porém, nem todos os indivíduos têm acesso a essas tecnologias, fazendo com que o mundo se polarize entre os que têm e os que não têm acesso a elas. A precarização da educação e das relações de trabalho gera uma competitividade desigual que acaba influenciando numa exclusão digital e conseqüentemente numa exclusão social.
Sendo assim, para falarmos em inclusão digital devemos necessariamente falarmos em exclusão e desigualdade social. As Novas Tecnologias de Informação e Comunicação (NTIC’s) estão dando margem a mais nova face da exclusão social. Esse fenômeno, segundo alguns estudiosos, é fruto de uma falta de acesso das camadas populares às ferramentas computacionais. Ou seja, a diferença entre os que têm e aqueles que não têm acesso às tecnologias aumenta ainda mais o fosso das desigualdades entre ricos e pobres. Sendo assim, há um círculo vicioso, em que a exclusão social gera a exclusão digital e a exclusão digital pode transformar-se em exclusão social.
Devido a essa exclusão digital, os organismos estatais, os movimentos sociais organizados e a sociedade civil estão se mobilizando para propiciar uma inclusão digital. Um dos mecanismos utilizados para minimizar a exclusão digital vem sendo posto em prática através de políticas públicas de inclusão digital.
As políticas de inclusão digital devem vir amparadas em políticas sociais mais abrangentes, pois apenas incluir digitalmente o indivíduo não adianta, devemos incluí-lo socialmente para que este tenha condições de competir no mercado de trabalho, bem como garantir seus direitos sociais.
Analisei os Telecentros Comunitários de Porto Alegre como exemplo de uma Política Pública de Inclusão Digital. Os telecentros comunitários disponibilizam acesso às Tecnologias de Informação e Comunicação, principalmente à internet, garantindo acesso público e universal aos indivíduos, possibilitando uma maior apreensão do conhecimento. Estes são destinados às pessoas que não têm acesso através de outros meios (em casa, na escola, no trabalho, entre outros) às tecnologias.
Os telecentros comunitários foram implementados a partir de 2001 pela Prefeitura de Porto Alegre. O objetivo desta Política Pública é promover a iniciação à informática, à cidadania e ao bom uso de ferramentas da internet, visando diminuir os índices de exclusão social em Porto Alegre. São 33 unidades na capital.
Para finalizar, os telecentros já são uma realidade em vários países e vêm se transformando numa alternativa cada vez mais utilizada para promover a inclusão digital. Porém, as mudanças ocorrem lentamente e, por isso, se faz necessário que um número maior de medidas sejam tomadas a fim de atingir seu principal objetivo, que é incluir as camadas menos favorecidas no fluxo globalizante de informações e conhecimentos, reduzindo as desigualdades socioeconômicas.
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