sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Congresso Internacional de Qualidade na Educação a Distância

De 12 a 14 de novembro deste ano participei do Congresso Internacional de Qualidade na Educação a Distância - CIQEAD. Este evento foi organizado pelo Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos - UNISINOS. Participei da mesa temática intitulada Inclusão Digital para Inclusão Social – do "virtual" ao "real". Foram três apresentações de trabalho, incluindo o meu. Relatarei brevemente os assuntos discutidos pelo grupo acerca da inclusão digital e da educação a distância.
O primeiro trabalho discutido foi o intitulado "Inovação e Tecnologia: o sucesso da inclusão digital no Brasil obtido através do cartão WebAula", apresentado por Wilson Cypriano Pereira. Primeiramente ele contextualiza em números a situação brasileira com relação à inclusão digital. Segundo ele, somente 12,46% dos brasileiros possuem computador em casa; 8,31% possuem Internet. Justifica, baseado nas estatísticas que muita desigualdade social acaba criando bolsões de exclusão digital e social. Porém, ele acredita que grandes forças motivadoras estão cada vez mais presentes a fim de acabar com tal exclusão, como:
Bancos comprovam que seus "clientes Internet" já atingem quase 100% dos incluídos digitalmente;
E- GOV e certificação digital já é realidade e necessita de massa crítica;
Crescimento de entrega do Imposto de Renda pela internet já é exponencial;
A popularização dos celulares ajuda o indivíduo conhecer tecnologia avançada e inciar-se na Internet;
1% da receita de todas as teles vão para um fundo chamado FUST. Este fundo só pode ser usado para inclusão digital;
As empresas necessitam cada vez mais de colaboradores preparados e incluídos digitalmente. E-learning não é novidade, já é necessidade;
Governos e empresas estão criando telecentros em comunidades carentes;
Neste contexto, a inclusão digital democratiza a informação e o conhecimento, possibilitando o crescimento pessoal e profissional e conseqüentemente uma inclusão social.
Dado este panorama, o autor apresenta o projeto Centros Vocacionais Tecnológicos (CVT). Este é uma iniciativa do Governo do Estado de Minas Gerais no combate à exclusão digital feito em parceria com várias entidades e nas esferas municipal, estadual e federal. Tem como base a instalação de centros tecnológicos, preferencialmente em escolas e bibliotecas, próximas à população carente. Este projeto visa a inclusão digital e preparação da mão-de-obra de acordo com a vocação econômica de cada região. Cada unidade conta com:
duas salas de inclusão digital
dez computadores e impressoras
uma sala de videoconferência
um laboratório convencional de acordo com a vocação local
uma sala de incubadora para empresas
O projeto CVT já atingiu 86.838 alunos até julho de 2007. O curso mais procurado é o de introdução à informática. 86,4% das pessoas que fizeram o curso o qualificaram de ótimo e bom. 65,7% são do sexo feminino. A escolaridade das pessoas que mais procuram são: 35,3% com ensino fundamental incompleto e 24,3% com ensino médio completo. 78,8% são solteiros e 68,2% não possuem renda, o que justifica a procura por uma qualificação.
Para atingir estes números, o projeto conta com o auxílio do cartão WebAula. O Cartão webAula foi criado com o intuito de tornar inteligente e eficaz a maneira como os usuários acessam cursos pela internet, proporcionando a aquisição de conhecimentos para enfrentar o mercado de trabalho. Através de simples passos, o usuário consegue acessar e escolher um curso de uma grade com mais de 70 cursos técnicos e profissionalizantes. Depois basta fazer o curso escolhido através de um micro ligado a internet a qualquer hora e em qualquer lugar. Os cursos contam com auxílios de tutores eletrônicos, biblioteca virtual, os conteúdos a serem trabalhados e além disso há um dispositivo de acessibilidade, adequando cada curso ao estilo de pessoa que for fazê-lo, por exemplo, se for um adolescente a tela pode ser colorida e cheio de desenhos para ilustrar o conteúdo; se for um adulto, vem em formato de textos. Ou seja, há várias layouts para serem escolhidos. Ao final do curso é emitido um certificado de participação que pode ser impresso pelo próprio aluno. Enfim, a era da informação está cada vez mais recebendo atenção das organizações, sejam elas públicas ou privadas, e o que percebemos é que a cada dia novos dispositivos estão sendo criados para sanar uma carência que é realidade de muitos brasileiros, a chamada exclusão digital.

O segundo trabalho apresentado é intitulado "Educação SEBRAE pela Internet: um caso de sucesso" da autora Maria Ângela Soares Lopes (Consultora Sênior do SEBRAE).
O objetivo do trabalho era apresentar as propostas dos cursos SEBRAE e como são desenvolvidos os cursos ministrados por ele. A missão do SEBRAE é a promoção da competitividade e do desenvolvimento sustentável das micro e pequenas empresas. A autora trás exemplos de alguns cursos ofertados pelo SEBRAE, dentre eles encontramos o:
Iniciando um Pequeno Grande Negócio - IPGN
Aprender a Empreender- AE
Como Vencer Mais e Melhor – CVMM
Análise e Planejamento Financeiro – APF
D-Olho na Qualidade – D-Olho
Até o final de 2007, o SEBRAE tem como meta atender 750 mil pessoas com os cursos oferecidos. São cursos gratuitos e visa especificamente a qualificação para o mercado de trabalho.
O compromisso dos gestores focam na excelência (desenvolvimento de competências, aprendizagem colaborativa e valorização dos profissionais de EAD). Os cursos contam com tutores dinamizadores e tutores masters apoiados por equipe administrativa e consultores educacionais. Trabalham com a idéia do tutor pró-ativo, que provoca discussões e incentiva os participantes a manterem o ritmo do curso.
O projeto conta com cursos livres (gratuitos), planejamento anual, campanhas de divulgação, controle terceirizado de turmas, acompanhamento das turmas pelos coordenadores, tutoria e avaliação.
Os recursos educacionais utilizados nos cursos são: chats, fóruns/comunidade, mural, caixa postal, tira dúvidas e biblioteca virtual.
O terceiro trabalho foi por mim apresentado e tem como título "Política Pública de Inclusão Digital: os telecentros comunitários de Porto Alegre". Meu trabalho está centrado na problemática da exclusão social e digital, pois vivemos em um contexto histórico marcado pelas desigualdades sociais em que as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC’s) se tornam cada vez mais presentes no nosso cotidiano. Porém, nem todos os indivíduos têm acesso a essas tecnologias, fazendo com que o mundo se polarize entre os que têm e os que não têm acesso a elas. A precarização da educação e das relações de trabalho gera uma competitividade desigual que acaba influenciando numa exclusão digital e conseqüentemente numa exclusão social.
Sendo assim, para falarmos em inclusão digital devemos necessariamente falarmos em exclusão e desigualdade social. As Novas Tecnologias de Informação e Comunicação (NTIC’s) estão dando margem a mais nova face da exclusão social. Esse fenômeno, segundo alguns estudiosos, é fruto de uma falta de acesso das camadas populares às ferramentas computacionais. Ou seja, a diferença entre os que têm e aqueles que não têm acesso às tecnologias aumenta ainda mais o fosso das desigualdades entre ricos e pobres. Sendo assim, há um círculo vicioso, em que a exclusão social gera a exclusão digital e a exclusão digital pode transformar-se em exclusão social.
Devido a essa exclusão digital, os organismos estatais, os movimentos sociais organizados e a sociedade civil estão se mobilizando para propiciar uma inclusão digital. Um dos mecanismos utilizados para minimizar a exclusão digital vem sendo posto em prática através de políticas públicas de inclusão digital.
As políticas de inclusão digital devem vir amparadas em políticas sociais mais abrangentes, pois apenas incluir digitalmente o indivíduo não adianta, devemos incluí-lo socialmente para que este tenha condições de competir no mercado de trabalho, bem como garantir seus direitos sociais.
Analisei os Telecentros Comunitários de Porto Alegre como exemplo de uma Política Pública de Inclusão Digital. Os telecentros comunitários disponibilizam acesso às Tecnologias de Informação e Comunicação, principalmente à internet, garantindo acesso público e universal aos indivíduos, possibilitando uma maior apreensão do conhecimento. Estes são destinados às pessoas que não têm acesso através de outros meios (em casa, na escola, no trabalho, entre outros) às tecnologias.
Os telecentros comunitários foram implementados a partir de 2001 pela Prefeitura de Porto Alegre. O objetivo desta Política Pública é promover a iniciação à informática, à cidadania e ao bom uso de ferramentas da internet, visando diminuir os índices de exclusão social em Porto Alegre. São 33 unidades na capital.
Para finalizar, os telecentros já são uma realidade em vários países e vêm se transformando numa alternativa cada vez mais utilizada para promover a inclusão digital. Porém, as mudanças ocorrem lentamente e, por isso, se faz necessário que um número maior de medidas sejam tomadas a fim de atingir seu principal objetivo, que é incluir as camadas menos favorecidas no fluxo globalizante de informações e conhecimentos, reduzindo as desigualdades socioeconômicas.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Trabalhos de Conclusão do Curso de Pedagogia - FACED/UFRGS

Na terça-feira, dia 04 de dezembro participei da sessão de trabalhos de conclusão do curso de pedagogia da UFRGS. Julguei interessante participar justamente para me ater ao que está sendo produzido na área da educação, principalmente com relação à informática na educação. Sendo assim, as temáticas abordadas foram:
*Indisciplina e Violência na Escola: uma reflexão sobre a experiência do estágio de docência. Autora: Camila Ferreira; Orientadora: Carmem Craidy;
Obs: abordou a temática da indisciplina: afinal, o que é considerado indisciplina e como o professor deve agir em casos de violência entre alunos e alunos e professores. Muitas vezes o próprio professor é agressivo com os alunos e isso reflete nos diálogos entre professores.

* Das Narrativas das Propagandas ao Trabalho Pedagógico: movimentos de um pensar crítico com jovens e adultos. Autora: Caroline Tolotti; Orientadora: Cíntia Boll;
Obs: aborda a temática do letramento midiático; utiliza autores como Silverstone, Corso, Paulo Freire e Magda Soares. A autora entende por letramento o uso social da leitura e escrita, embasada por Magda Soares.

* Ambientes Midiáticos como Espaços de Aprendizagens em EJA: escolas do cotidiano. Autora: Carla Vieira; Orientadora: Cíntia Boll;
Obs: Abordou a mídia como espaços de aprendizagens. No seu estágio, a autora troxe reflexões para seus alunos acerca de como a mídia nos envolve em nosso cotidiano. Para trabalhar com os alunos, ela solicitou recortes de jornais e abordou as notícias que tiveram repercussão naquele dia e os alunos tiveram que se posicionar contra ou a favor do que a mídia estava veiculando.

* Estar professora pela 1ª vez? Dilemas e abordagens. Autora: Milena Vicente: Orientadora: Cíntia Boll;
Obs: A autora traz questionamentos acerca do que é ser professor e estar professor. Sua análise perpassa a abordagem tradicional, a cognitivista e a sócio-cultural.

*Estereografia: tradução e pedagogia do gesto. Autor: Luiz Rodrigues; Orientadora: Sandra Corazza;
Obs: Neste o autor traz a sua experiência de trabalho com surdos.

* Escrileitura na EJA: um sistema de prazer. Autor: Marcos Oliveira; Orientadora: Sandra Corazza;
Obs: Trabalho focado na pesquisa do conhecimento.

* Violência Escolar e o Papel do Professor. Autora: Fabiane Lopes; Orientadora: Carmem Machado;
Obs: A autora centra a análise na temática da violência escolar e no discurso, tanto dos alunos que agem agressivamente, mas principalmente dos professores que reproduzem esse comportamento com os mesmos. Ela trouxe depoimentos fortes como exemplo de violência nas escolas.

* As Relações de Afeto na Educação Infantil. Autora: Lisandra Bueno; Orientadora: Carmem Machado;
Obs: Neste a autora analisa o "brincar de namorar", ou seja, quais as representações dessa brincadeira no cotidiano das crianças na educação infantil; se é biológico ou uma construção social.

* A formação Docente em Educação Musical: saberes e práticas. Autora: Paula Gomide; Orientadora: Leda Maffiolett;
Obs: Analisa a música no currículo das escolas. Como está sendo introduzida a música no currículo escolar e quem está preparado para ministrar uma aula de música. Defende que deve haver uma separação das aulas de artes e aulas de música, estas devem ser dadas por profissionais formados em música.

* Múltiplas Linguagens na Sala de Aula: música. Autora: Daniele Santos; Orientadora: Leda Maffioletti;
Obs: Analisa a possibilidade de introduzir a disciplina de música como alternativa para os alunos que ingressam com 6 anos no ensino fundamental.

Workshop de Acessibilidade e Inclusão Digital

Workshop de Acessibilidade e Inclusão Digital: interfaces para a inclusão social

Dia 6 de dezembro aconteceu na Faculdade de Educação o "Workshop de acessibilidade e inclusão digital – interfaces para a inclusão social". Este evento foi realizado no intuito de expor os trabalhos de uma disciplina do Programa de Pós Graduação do CINTED, ministrada pela professora Liliana Passerino.
Alguns temas me chamaram atenção como o trabalho da Rita Bersch, que falou sobre políticas públicas e tecnologia assistida. Seu objeto de pesquisa centra-se na funcionalidade dos equipamentos utilizados por portadores de deficiência e no desenvolvimento de uma tecnologia assistiva. O objetivo deste estudo é desenvolver tecnologias para que os portadores de deficiência possam adquirir autonomia, independência, qualidade de vida e uma maior inclusão social.
A autora justifica a análise baseada em estatísticas que comprovam a exclusão de pessoas portadores de deficiência. Segundo dados do IBGE de 2000, 14,5% da população brasileira apresenta algum tipo de deficiência. Destes, 24,5 milhões não estão inseridos no mercado de trabalho. Ela trás ainda alguns dados com relação ao ensino. Existe 2.850.256 crianças e jovens da faixa etária de 0 a 17 anos com algum tipo de deficiência, destes 75,1% estão fora da escola (esses números incluem as escolas de educação especial).
Estes dados referentes ao ensino nos trás algumas reflexões acerca da exclusão educacional dos portadores de deficiência. Se pensarmos que esses indivíduos sequer entram no ensino básico, por falta de estrutura para atendê-los e até mesmo pelo fato dos familiares desconhecerem as leis que obrigam as escolas a aceitarem alunos com necessidades especiais, como chegarão ao ensino superior. Mesmo os alunos que conseguem passar pelo ensino básico, como ultrapassar a barreira imposta pelo vestibular que continua sendo excludente. Algumas universidades, compreendendo esse processo educacional, estão elaborando provas diferenciadas e com auxílio profissional para os portadores de necessidades especiais para realizarem as provas do vestibular.
Porém, ainda estamos longe de uma efetiva inclusão, seja no âmbito educacional, profissional, ou até mesmo social de pessoas com necessidades especiais. Falta políticas públicas que auxiliam tanto na acessibilidade dessas pessoas como também na inclusão em vários âmbitos sociais (escola, trabalho, lazer, esporte, cultura...). Nós, enquanto professores e pesquisadores da área da educação não podemos fechar os olhos para essa realidade que assola uma parcela significativa da população brasileira.
Outro trabalho que me chamou a atenção foi o da Maurem da Silva, intitulado "Inclusão Digital no Meio Rural". Ela analisa a "agroinformática" que alia as atividades do meio rural com as tecnologias, gerando um maior desenvolvimento econômico. A autora traz alguns dados da inclusão/exclusão digital no Brasil. Segundo os dados, 38,4% dos brasileiros possuem computador e 13,6% com Internet. No Vale do Taquari (zona rural) os números mudam, pois 13% da população possui computador e desses 9% com Internet; 63% dos moradores não sabem sequer utilizar o computador.
Para amenizar esses dados, foi criado junto à associação dos moradores cursos básico de informática para que os produtores rurais pudessem utilizar a tecnologia para beneficiar suas produções. Alguns casos já se destacam na região, como o produtor de uvas que, através da Internet, começou a trocar correspondências com outro produtor e com isso dinamizou sua produção. Há casos de produtores que hoje utiliza o computador para gerenciar sua produção. Acredito que este trabalho irá contribuir muito com o crescimento da região, pois ainda há um preconceito muito grande das pessoas que residem no meio rural com as tecnologias. É preciso mostrar que a tecnologias não são um bicho e que pode sim contribuir para uma maior qualidade na vida dos produtores rurais.
Por fim temos o trabalho apresentado pela Cíntia Boll sobre "Arquiteturas Pedagógicas para Licenciados em EAD: espaço hipermididático de formação". Neste trabalho ela desenvolve um ambiente virtual de aprendizagem para o estágio dos alunos de licenciatura chamado PPH. Além de apresentar este ambiente virtual de aprendizagem, a autora traz alguns dados sobre a Educação a Distância. Esses dados mostram que em 2005, 127 mil alunos se matricularam na EAD no Brasil e desses, 30% concentram-se no ensino superior. Partindo desses dados, ela fala sobre a importância da EAD nas instituições de ensino e como a mesma contribuiu para uma inclusão social, pois a EAD acabou democratizando o ensino.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Portfólio

Este espaço foi criado para juntos refletirmos sobre nossas práticas cotidianas.